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Page history last edited by Neuza Rocha 2 years, 3 months ago

                                           Dossiê de Inclusão  

 

                                                        

 Relatos sobre as pessoas muito especiais que perspassaram por minha vida e deixaram suas marcas.

 

 Me considero uma pessoal muito especial, pois fui gerada e parida por uma mãe mais especial ainda, para mim a mais especial de todas as mães do mundo. Alguns colegas tem filhos com necessidades educacionais especais, eu tive uma mãe portadora de uma "doença incurável" na época e nas condições em que minha mãe vivia. Segundo seu relato, começou a ter convulsões por volta dos dois anos de idade  e como morava numa comunidade erma, distante quilômetros da cidade, sobreviveu a primeira convulsão graças às promessas de sua madrinha à Santa Terezinha do Menino Jesus. Por conta da santa milagreira, recebi o nome de Neuza Terezinha. Somente por ocasião do nascimento de meu irmão mais moço, foi diagnosticada como epilética e passou a receber medicações que aliviavam e espassavam as convulsões que só foram desaparecer anos depois.

Apesar de todas essas dificuldades minha mãe se alfabetizou porque segundo ela, "incomodava" tanto sua mãe, que esta, muitas vezes, largava da máquina de costura para ensinar-lhe a ler e escrever.

De minha vó também herdou o gosto pela contação de histórias que me fascinavam e povoavam minha imaginação de menina também do interior. Da minha memória de infância duas imagens sempre me surgem quando lembra dessa "santa criatura" seu corpo contorcido, estendido no chão ou sentada na cadeira ao redor do fogão nas longas noites gélidas de inverno a me contar histórias. Dicotomia esta que me causou algumas "dores de cabeça", pois não conseguia entender como era possível uma pessoa estar saudável, "lúcida" num dia e no dia seguinte sequer saber quem era, onde estava. E lá partia eu em seu socorro, lhe auxiliando a reavivar todo o que havia esquecido, situando-a novamente no tempo e no espaço.

Meu convívio com pessoas ditas ou tidas como especiais não terminou por aí. Quando tinha mais ou menos 6 anos conheci um tio que se locomovia com o auxílio de uma cadeira e que possuia mãos trêmulas que morou por algum tempo em minha casa e que também ajudava lhe oferecendo comida na boca ou lhe auxiliando na higiene pessoal, até mesmo cortando-lhe as unhas das mãos e dos pés.

Mais tarde, já na adolescência convivi com um primo que tinha dificuldade de locomoção devido a paralisia infantil que obviamente não saia de casa e se arrastava pelo chão, semelhante as muitas que encontramos pelas ruas de nossa cidade.

Quando conheci meu marido, conheci também sua tia com síndrome de down com a qual convivi até poucos anos atrás e que quando jovem frequentava uma escola especial e que possuia uma linda voz e por conta disso estava sempre com seu radinho ligado ouvindo música e cantando.

Minha experiência com alunos especiais aconteceu m 2002 ano que comecei a trabalhar como professsora. A menina que denominarei Maria que segundo relatos de sua mãe e laudo médico possuia atrofia muscular que comprometia o movimento de seus braços e pernas. Caminhava com dificuldade e também escrevia com grande dificuldade o que resultou em várias reprovações. Tinha atendimento especializado numa instituição no turno inverso. Sai da escola, mas soube através de uma colega que no ano seguinte fora reprovada.

Quando troquei de escola para minha surpresa, no primeiro dia de aula quando trabalhava o nome com meus alunos não entendi quando a menina falou seu nome, insisti outra vez, mas como continuava a não entender, não insisti mais.

No intervalo comentei o fato com minha colega que me falou que ela já havia sido sua aluna e apresentava sérios comprometimentos na fala.

Carolina era uma menina alegre que gostava de cantar e dançar e  de expressar seus desejos e vontades,Por conta disso, talvez, no final do ano estava silábica, porém no ano seguinte não ficou na minha sala e logo em seguida foi transferida para uma escola especial. Agora já é uma adolescente que vejo seguidamente e que sempre corre a me abraçar e beijar.

No ano passado, recebi um aluno oriundo de outra escola com vários anos de repetência que também apresentava dificuldade de se expressar. Percebi que tinha grande facilidade em cálculos e contribuia com seus conhecimentos, dominava bem a noção de direita esquerda (lateralidade), tinha facilidade para lidar com mapas e medidas: palmo, régua e fita métrica.

Assim que chegou consegui contatar com a mãe e o menino foi encaminhado para uma fonoaudióloga que me ajudou bastante na alfabetização desse menino que agora está no  3º ano. Esse atendimento foi agilizado porque o menino foi encaminhado para um otorrinolaringologista que descartada a suspeita de surdez fez seu encaminhmento para uma fonoaudióloga, cujo apoio foi fundamental para o processo de alfabetização. Provavelmente, sozinha não daria conta do recado e esse menino estaria novamente fadado a reprovação. Recentemente, soube por intermédio de minha colega que ele foi aprovado para o 4º ano o que me deixou muito feliz.

Realizei uma entrevista com uma vizinha cega, por ocasião do Projeto de Aprendizagem para a Interdisciplina de Psicologia na Vida Adulta que colocarei à disposição à título de ilustração. (Ver Entrevista Realizada com uma deficiente visual). 

      

             Produção feita pela aluna Klér, cujo tio se locomove através de cadeira de rodas.                                         

 

    

  Na minha escola, Colégio Estadual Elpídio Ferreira Paes há um total de 1197 alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio e com 62 professores, atuando em horários da manhã, tarde e noite. Em entrevista com a vice-diretora, essa considera que nesse universo de alunos, exite dois alunos com necessidades educacionais especiais:

 

  • Uma aluna cadeirante no 1º do Ensiino Fundamental de 9 anos, numa turma de 25 alunos,  que possui um irmão mais velho que estuda na 6ª série e que, às vezes, é solicitado para auxiliar a irmã nos delocamentos até o banheiro.
  •  Um aluno cadeirante no 2º ano do Ensino Fundamental de 9 anos, numa turma de 28 alunos, diagnosticado como portador de atrofia muscular progressiva e que também já possui outros irmãos que estudam na escola.

Em ambos os casos, a professora responsável pela turma é encarregada pelos deslocamentos até o banheiro, até o refeitório e também pelos deslocamentos da cadeira de roda para a classe adaptada enviada pela família de um deles e que é usada por ambos, pois estudam em turno inverso. O pátio apresenta desníveis que dificultam os deslocamentos sempre feitos pela professora, com pequenas excessões quando os próprios colegas de turma ajudam.

Sabemos por lei que os deslocamentos dessas crianças não deveriam ficar a cargo da professora e sim por conta de uma estagiária, enfim pelo profissinal designado para isso. Essas questões já foram levantadas por mim numa reunião pedagógica e deverão ser retomadas nas próximas reuniões ou na Jornada Pedagógica que será realizada em julho, pois "os alunos com ou sem deficência não são do/a professor/a, são da escola. Portanto, cabe a escola reivindicar junto aos órgãos competentes os recursos e os profissionais necessários para que a inclusão aconteça.

 

A escola dispõe de duas rampas de acesso, necessitando com urgência de mais uma rampa para permitir que esses alunos se desloquem até a pracinha; é a prioridade do momento, porém a escola está aguardando verba da SEC para tal.

Também mencionei à diretora a necessidade de adaptação dos banheiros, pois me parece que não havia se dado conta disso, ficando claro nessa atitude o despreparo por parte da direção e gestores que não se dão conta de algo que me parece tão evidente para uma escola que quer promover a inclusão. a Lei é bem clara a esse respeito. 

A Resolução CNE/CEB nº 2 de 11 d Fevereiro de 2001, entre outros:

 Art. 12. Os sistemas de ensino, nos termos da Lei 10.098/2000 e da Lei 10.172/2001, devem assegurar a acessibilidade aos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas urbanísticas, na edificação - incluindo instalações, equipamentos e mobiliário - e nos transportes escolares, bem como de barreiras nas comunicações, provendo as escolas dos recursos humanos e materiais necessários.. 

§ 1o Para atender aos padrões mínimos estabelecidos com respeito à acessibilidade, deve ser realizada a adaptação das escolas existentes e condicionada a autorização de construção e funcionamento de novas escolas ao preenchimento dos requisitos de infra-estrutura definidos... 

Na verdade, as leis existem, mas não são cumpridas, pois no caso da minha escola, ela está a cerca de dois meses esperando verba para a construção de uma nova rampa, sem previsão para que a mesma aconteça. Portanto, apenas a criação e a normatização de leis não são suficientes para garantir  que as mesmas se façam cumprir, garantindo o mínimo necessário de inclusão. 

É óbvio que num universo de aproximadamente 1200 alunos muitos são os alunos com necessidades educacionais especiais que estão "escondidos", passam despercebidos pela equipe diretiva e também pelos docentes que acredito que mais por "ignorância", despreparo e desconhecimento do que de forma intencional.

Entre esses alunos, cito o caso de uma menina que denominarei "A" que está a cerca de 5 anos repetindo o primeiro ano. Quando frequentava pela primeira vez  a primeira série, foi minha aluna.Percebi que tinha alguns momentos de "ausência" e a encaminhei para o SOE que fez contato com a mãe que nos comunicou que a menina já recebia atendimento no hospital de Clínicas porque tinha tido  meningite e que não havia necessidade de encaminhá-la ao NASCA,

Passado todo esse tempo numa reunião manifestei  minha preocupação e falei a respeito das Salas de Integração e Recursos (SIR). Depois disso a orientadora levou ao conhecimento da SEC que solicitou um laudo para encaminhamento para essa menina e para  outra, em situação semelhante.

Existem outros casos semelhantes a esses, mencionei esses pois apenas como exemplo As coisas acontecem e são resolvidas na minha escola, mas em geral de uma forma bastante lenta,  devido também a um certa burocracia que precisa ser mantida. 

 Me preocupa, sim, os tantos excluídos anônimos, aqueles cujas chagas são invisíveis, não deixam marcas no corpo e se tornam os alunos insuportáveis, negligentes, arrogantes, irreverentes, indisciplinados, os inquietos, os repetentes que ficam anos a fio numa mesma série, vítimas de um sistema negligente, irresponsável, atrolhado de leis, adendos; por conta de uma instituição, Escola que não dá conta de administrar todo esse caos.É o caso dos alunos com transtornos funcionais específicos com transtorno de atenção e hiperatividade , o alunos com transtornos globais na área de comunicação, visão e audição e aqueles alunos considerados com altas habilidades. 

A Declaração de Salamanca é bem clara quando menciona que a ação da educação especial amplia-se passando a abranger não apenas as difiuldades de aprendizagem relacionadas as condições, disfunções, limitações e deficiências, mas também aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica, considerando que, por dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, alunos são excluídos de apoios escolares, contribuindo para a evasão escolar. 

Também  Resolução CNE/CEB Nº2, de 11 de Fevereiro de 2001 é bem clara quando diz: 

Art. 4º Como modalidade da Educação Básica, a educação especial considerará as situações singulares, os perfis dos estudantes, as características bio-psicossociais dos alunos e suas faixas etárias e se pautará em princípios éticos, políticos e estéticos de modo a assegurar:. 

I - a dignidade humana e a observância do direito de cada aluno de realizar seus projetos de estudo, de trabalho e de inserção na vida social;. 

II - a busca da identidade própria de cada educando, o reconhecimento e a valorização das suas diferenças e potencialidades, bem como de suas necessidades educacionais especiais no processo de ensino e aprendizagem, como base para a constituição e ampliação de valores, atitudes, conhecimentos, habilidades e competências;. 

III - o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade de participação social, política e econômica e sua ampliação, mediante o cumprimento de seus deveres e o usufruto de seus direitos..  

Concluindo, a educação de pessoas com necessidades especiais deverá ocorrer dentro da educação regular em todos os níveis a iniciar na Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio e Graduação. É uma assunto velho, mas ao mesmo tempo relativamente novo que ainda suscita muitas dúvidas e desconhecimento por parte, sobretudo, dos educadores. Não resta dúvida que o desconhecido nos assusta um pouco, mas eu acredito firmemente que a situação como está não pode continuar e vejo na INCLUSÃO uma oportunidade em que janelas, portas se abrirão e beneficiarão não só os ditos e diagnosticados alunos especiais, mas todos os alunos da rede pública, seja ela estadual ou municipal. Além do convívio e interação, estes sujeitos ganharão também porque provavelmente terão oportunidade de usufruir juntamente com os demais recursos disponibilizados e assegurados por lei tais como salas com recursaos audiovisuais, profissionais especializados, ficando evidente que cabe a titular da classe lidar e administrar o ambiente da sala de aula onde as coisas realmete acontecem. 

Com as leituras feitas e a participação nos fóruns, somadas a minha experiência e as observações realizadas no ambiente da minha escola percebi que mais uma vez coube as escolas da rede pública dar conta de mais esse "recado" e que recai também sobre os ombros dos professores mais essa tarefa, no momento, meio por imposição, mas que num futuro talvez ainda distante reverterão, sem dúvida, em benefício de toda uma sociedade e, no momento somos nós os protagonistas dessa história.

Por isso, a importância da Escola ter metas definidas e saber aonde quer chegar e que tudo isso deve constar no Projeto Político Pedagógico da Escola. Ele é o norte de toda escola e deve conter todos os sonhos, os projetos, necesidades e realidade em torno da comunidade na qual está inserida. É a referência para os demais níveis de planejamento e deve ser consensual, fruto da reflexão e decisão do coletivo e que portanto não deve ficar guardado no fundo da gaveta deve ser avaliado e reavaliado constantemente.

O PPP é um projeto político porque representa a realidade das pessoas daquela comunidade, mas ao mesmo tempo é .um ato pedagógico, isto é, uma prática, uma situação, um contexto com coisas que são possíveis fazer e de outras que se gostaria de fazer e que não são possíveis naquele momento, "os sonhos" que são importantes porque dão sentido ao que se tenta fazer e impulsionam a busca por condições ideais. 

A mim fica a impressão que algumas escolas vão incorporando exigências sem repensar todas as implicâncias que elas acarretam tanto na estrutura física, como no currículo, na forma de avaliação, etc... Incluir por incluir não basta, não faz a diferença e nós devemos fazer a diferença, na indiferença e no descaso.

Para começarmos a exigir a participação do Estado é necessário, sobretudo, que a Escola (instituição) também se organize. Assim saberá o rumo a tomar e, então, estará fortalecida para fazer as exigências necessárias e cobrá-las, no caso, da máquina estatal que tem o dever de atendê-la em suas reais necessidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (19)

Neuza Rocha said

at 6:03 pm on Mar 24, 2009

não esquecer de lincar o dossiê da neuza lá no neuza Rocha PEAD.

Neuza Rocha said

at 9:13 pm on Apr 6, 2009

Santa Mara, valei-me. Digitei no Side Bar e agora não sei como deletar. Quem poderá me salvar, quem? Acho que vou necessitar daquela ajudinha personalizada. Amanhã, na aula presencial de Psicologia II no falamos. Bjs.

Neuza Rocha said

at 9:19 pm on Apr 6, 2009

Olá prof Daniela, é visível minha dificuldade com o tal de wiki. Gostei muito de um e-mail em que um das colegas lamentava não poder auxiliar a outra poque no semestre anterior tinha tido uma briga feia com esse sujeito. Parece que o mesmo aconteceu comigo e ainda não consegui me reconciliar.
Conto com sua compreensão.
Abraço.

Neuza Rocha said

at 11:22 pm on Apr 11, 2009

Consegui deletar o que havia escrito no side bar. VIVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Neuza Rocha said

at 11:25 pm on Apr 12, 2009

Prof Daniela e tutras Janaina e Larissa.
Através de uma dica data pela tutora Larissa acredito ter encontrado a maneira de conceder permissão para que comentem meu dossiê.

São muiitas descobertas!!!!

Marília said

at 11:18 pm on Apr 14, 2009

Oi, querida...acabei de entrar no teu espaço...muito bem..bju

Professora Mara Tavares said

at 10:06 am on Apr 15, 2009

Hehehehe...
Amei o diálogo que travastes contigo mesma logo acima, isso é que é interação!
Neuza, relaxa, tá 1000000000000000.......!
Bjs no coração, Mara.

neila goulart said

at 4:10 pm on Apr 15, 2009

Olá Neuza !

Olha nós aqui traveis!!!!

Adorei o teu espaço de inclusão...Senti-me totalmente incluida....


Bjs
Neila

Neuza Rocha said

at 8:38 pm on Apr 22, 2009

Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!! Aprendi a recuperar as postagens que havia deletado. São muitas emoções. São muitas aprendizagens!!!!!

Daniela said

at 7:55 am on May 9, 2009

Bom dia Neuza,
Vou fazer os comentários por partes. Primeiro gostaria de cumprimentá-la pelo dossiê. Esta muito completo e rico de relatos e experiências. Na primeira parte você fez uma retrospectiva de sua história pessoal e também de sua trajetória profissional, relatando os múltiplos contatos que você teve com pessoas especiais (com e sem deficiência), com doenças como a eplsepsia. Gostei do modo como você introduz o leitor em seu mundo. Também deixas evidente a tua fé. Nem sempre é simples se expor desta maneira. Cita várias pessoas, algumas com deficiência e outras não, deixando pistas sobre os possíveis dignósticos, sem no entanto, rotular os sujeitos, estigmatizando-os. Bom trabalho! Como sugestão acho que seria interessante evitar tantas janelas (opções) em teu texto para desenvolver mais profundamente um ou dois tópicos levantados por você. Um grande número de informações tende a desaparecer em meio ao texto.
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 8:33 am on May 9, 2009

Olá Neuza,
Sobre a segunda parte. Você contextualiza sua escola e informa que existem em torno de 1200 alunos matriculados. Deste universo, apenas 2 alunos são deficientes físicos (cadeirantes) de acordo com sua diretora. Talvez porque nestes casos a diferença é mais evidente. Em seguida informas que foi família de um destes alunos quem forneceu a cadeira de rodas adaptada para a mesa, que é utilizada pelo outro aluno no turno inverso. Também somos informados das barreiras arquitetônicas de sua escola e da necessidade de construção de uma nova rampa, que foi solicitada pela sua escola a SEC mas que ainda não foi designda para a escola. Há ainda a necessidade de um banheiro adaptado para esses alunos. Algumas questões que podem ser melhor desenvolvidas: neste universo de quase 1200 alunos devem haver outros com necessidades educacionais especiais, 'escondidos' como você escreve. Quem são? Onde estão? O que os diferencias dos dois alunos com deficiência física? Em relação a seguinte passagem do texto: "Fica bem claro nessa fala o despreparo por parte da direção e gestores que nem sequer se deu conta da necessidade e importância de um banheiro adaptado, algo que me parece tão evidente", talvez fosse necessário você contextualizá-la, pois fica meio perdida no parágrafo. Uma outra questão que me causou certo desconforto diz respeito a responsabilidade da professora para os deslocamentos dos alunos. O que você acha disso? Não seria o caso de haver momentos de formação onde a escola pudesse repensar a seguinte afirmativa: os alunos com ou sem deificiência não são do/a professor/a, são da escola! Reconheço que a carga horária de 60 horas/semana é bastante puxada e que fica difíficil ser criativo, receptivo, diante de tanto trabalho e cansaço. A queixa é válida, saudável, mas é preciso ir além. Lembre que depoimentos muito carregados de impressões, sentimentos, podem poluir/contaminar um pouco o texto.
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 8:33 am on May 9, 2009

Continuando:
O que se pretende com esse dossiê é ir construindo interpretações e conhecimento sobre as questões que envolvem a escolarização dos alunos com necessidades educacionais especiais, se escrevermos tudo o que pensamos e colocarmos no texto, muito pouco restará para nosso leitor interpretar. Sugiro certa cautela em relação a depoimentos muito passionais, buscando manter a qualidade de seu texto. Você esreve que os alunos chegam também 'sedentos de atenção', é isso mesmo? Acho que merece um desenvolvimento. Mais adiante você faz imrtantes reflexões sobre a escola para todos e os aspectos legais. Retomo a parte em que escreves que " ficando evidente que cabe a titular da classe lidar e administrar toda essa gama de difrenças que constituem esse extenso e riquíssimo ambiente, a sala de aula, onde as coisas devem realmente acontecer". Parece haver uma contradição entre esta parte do texto e o parágrafo seguinte: "Com as leituras feitas e a participação nos fóruns percebeu-se nitidamente que mais uma vez coube as escolas da rede pública dar conta de mais esse "recado" e que recai também sobre os ombros dos professores mais essa tarefa, no momento, meio por imposição, mas que num futuro talvez ainda distante reverterão, sem dúvida, em benefício de toda uma sociedade e, no momento somos nós os protagonistas dessa história". As leituras realmente encaminham para essas considerações ou estas são fruto de suas leituras somadas a sua experiencia e, sobretudo, reproduzem o ambeinte observado por você em sua escola? Para finalizar esta parte dos apontamentos/sugestões gostaria que você explicitasse o que que quiz dizer quando escreve que o Projeto Político Pedagógico contém 'sonhos'.
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 8:38 am on May 9, 2009

Cara Neuza,
Como você apresenta muitas informações na página inical de seu dossiê sugiro que faça imediatamente algumas sub divisões a partir da front page, por exemplo, deixando icones ou tópicos nesta página inicial que encaminhem seu leitor para cada parte do dossiê. Faço esta indicação porque esta página está muito longa (embora com informações importantes) e acaba cansando seu leitor.
Se você tiver dificuldade em fazer essas divisões você pode procurar apoio no pólo ou podemos marcar uma hora aqui na UFRGS. Não se trata de xcluir algum texto e sim de organizá-los de uma forma um pouco mais convidativa. Também não é necessário reproduzir as tarefas para cada unidade (isto você pode excluir).
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 8:46 am on May 9, 2009

Cara Neuza,
Interessante a entrevista com Bernardete. Fiquei em dúvida, o nome do programa para conversação por voz não é SKYPE ao invés de SCYPE? Bernardete nos fala de uma relação estreita que tem com seu computador que é "a menina dos olhos" dela. No entanto, quando nos apresenta Bernardete, que é cega escreves: "totalmente independente, apesar da deficiência". Acho que aqui existem alguns indicativos do que normalmente pensamos sobre as pessoas com deficiência e você poderia refletir sobre o uso da conjunção adversativa 'mas', o que está implícito neste discurso?
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 9:25 am on May 9, 2009

Neuza,
Você faz um excelente resgate da história das Redes Municipal e Estadual de ensino que sofreream uma série de mudanças depois de 1990, passando de um atendimento médico-clínico (das escolas especiais) para uma concepção pedagógica de ensino. Você apresenta detalhes das Salas de Integração e Recurso (SIRs), talvez você pudesse discorrer um pouco sobre o perfil e a formação do profissional (professor) que tabalha na SIR, que é um profissional especializado. Podemos pensar que esta interdisciplina esta, por exemplo, nos capacitando para trabalhar com alunos com necessidades educacionais especiais enão para trabalharmos em uma SIR. Acho que este assunto é importante ao refletirmos sobre os processos de formação e capacitação do professor n perspectiva inclusiva. Uma última questão: 'pessoas portadoras de Síndrome de Down' - a idéia de portabilidade de uma deficiência ou síndrome já esta sendo superada, talvez fosse mais adequado escrever apenas pessoa/aluno com Síndrome de Down. Bom trabalho!
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 11:25 am on May 9, 2009

Cara Neuza,
Primeiro gostaria de parabenizá-la pela escolha do caso, pelo modo que você nos apresenta Nicolas e narra os relatos da professora Isabel e da mãe (Nida). Você apresenta importantes destaques em relação a falta de formação dos professores para trabalhar com alunos com necessidades eucacionais especiais, que é recorrente em outros dossiês de seus colegas. Nicolas é, na minha opinião, um aluno privilegiado por ter uma mãe ativa, interessada, que viveu o luto do estranhamento inicial e canalizou seus esforços para uma melhor qualidade de vida de seu filho. Estudando, lutando pelos direitos de Nicolas e incentivando o filho, sempre. Na escola, Isabel também faz um trabalho voltado para as potencialidades e habilidades de Nicolas e não focado em suas dificuldades, aplicando com este aluno os mesmos trabalhos que realiza com os outros alunos. No entanto, Isabel ainda lamenta não ter a ajuda de ninguém... espero que este fato seja aos poucos alterado. A escola que se movimenta para receber Nicolas também mostra que com vontade e iniciativa a resistências em relação a inclusão escolar de alunos com deficiência esta sendo superada. Excelente trabalho!
Vou segerir a seus colegas que visitem teu dossiê e leiam esta introdução a seu estudo de caso que esta muito bem feita!
Continue assim!
Abçs,
Daniela

Daniela said

at 11:26 am on May 9, 2009

Cara Neuza,

Duas questões finais: É preciso ter o TCI - Termo de consentimento informado assinado pela mãe de Nicolas. Se você não tiver um modelo pode procurar na internet. Este documento deve ser assinado por Nida e ficar guardado com você por pelo menos 3 anos após a pesquisa. São procedimentos legais de pesquisa. Você pode mencionar ainda na introdução do estudo de caso que foram feitos estes procedimentos éticos de pesquisa. Segunda: faço parte de um grupo de pesquisa da UFRGs chamado NEPIE - Núcleo de Estudos em Políticas de Inclusão Escolar/UFRGS e gostaria de saber se você pode ver com Nida se ela disponibilizaria uma cópia do documentário para o grupo ou, se você achar melhor, pode me passar os contatos dela para que eu faça pessoalmente a solicitação. Obrigada!
Bom final de semana.
Abçs,
Daniela

Neuza Rocha said

at 11:36 pm on May 10, 2009

Boa Noite Prof Daniela!

Fiquei bem mais tranquila, após os omentários sobre meu dossiê, pois é um trabalho novo e sempre gera um pouco de iinsegurança.T entarei, à medida do possível fazer as correções sugeridas.
Obrigada pelas palavras de incentivo e elogios.

Quanto a cópia do documentário, Nida me falou que não poderia disponibilizá-lo. Amanhã tentarei entrar em contato com ela e depois lhe enviarei o telefone por e-mail.
Abraços, aluna Neuza

Daniela said

at 6:34 pm on Jul 12, 2009

Cara Neuza,

Você fez um ótimo trabalho, tentando dar conta das questões trazidas por mim e assimilando as sugestões na medida em que julgastes relevantes. Seu dossiê esta rico em descrições e informações, será com certeza, uma importante fonte de pesquisa para seus colegas.
Parabéns!
Uma ótima semana.
Abçs,
Daniela

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